Restituição do IR 2026: quando cai e como consultar
Calendário oficial dos 4 lotes (mai-ago/2026), ordem de prioridade legal, como consultar no e-CAC e o que fazer se cair na malha fina.
A Receita Federal espera receber cerca de 44 milhões de declarações do Imposto de Renda em 2026, e quase 70% delas devem ter direito a restituição. Em outras palavras: se você entregou a declaração esse ano, há boa chance de ver dinheiro voltando pra sua conta entre maio e agosto.
O calendário oficial saiu, e ele vem com mudança importante em relação a 2025: só quatro lotes em vez de cinco. O primeiro pagamento começa em 29 de maio de 2026, e o último em 28 de agosto. Quem usou a declaração pré-preenchida e indicou Pix com CPF como chave tem prioridade dentro de cada lote.
Esse guia mostra o calendário oficial, a ordem de prioridade legal, como consultar se você está em algum lote e o que fazer caso a declaração caia na malha fina.
Antes de começar
Use a calculadora de salário líquido pra simular se você teve imposto retido a mais durante o ano e estimar se terá restituição ou imposto a pagar.
Simular salário líquido →Quem tem direito a restituição
Tem direito a restituição quem pagou mais imposto durante o ano do que devia. Isso costuma acontecer em três cenários comuns:
- Imposto retido na fonte maior que o devido. O empregador desconta IR do salário todo mês com base na tabela mensal. Quando você faz a declaração anual, abate despesas dedutíveis (saúde, educação, dependentes, previdência) e o cálculo final dá menos imposto do que foi retido.
- Despesas dedutíveis acumuladas. Gastos com plano de saúde, mensalidade escolar de filhos, contribuição à previdência privada PGBL e pensão alimentícia judicial reduzem a base de cálculo e geram crédito.
- Declaração com dependentes. Cada dependente legal abate uma parcela fixa da base de cálculo, o que pode jogar o imposto devido pra baixo do que já foi retido.
Se o cálculo der imposto devido menor que o pago, a diferença vira restituição. Se der maior, você paga a diferença em DARF até o último dia útil de maio (ou parcela em até oito vezes).
Calendário oficial 2026 dos 4 lotes
A Receita Federal divulgou o cronograma oficial dos pagamentos. Em 2026 são quatro lotes (em vez dos cinco habituais), e existe ainda um lote separado em julho pra restituição automática de quem não era obrigado a declarar.
| Lote | Data de pagamento | Quem recebe |
|---|---|---|
| 1º lote | 29 de maio de 2026 | Grupos prioritários (idosos 80+, idosos 60-79, PCD, doenças graves, professores) e quem entregou cedo com pré-preenchida + Pix |
| 2º lote | 30 de junho de 2026 | Grupos prioritários remanescentes e demais contribuintes por ordem de entrega |
| Lote especial | 15 de julho de 2026 | Restituição automática (cashback) pra quem tinha direito mas não declarou em 2025 |
| 3º lote | 31 de julho de 2026 | Demais contribuintes por ordem de entrega |
| 4º lote | 28 de agosto de 2026 | Últimos contribuintes da fila |
Fonte: Receita Federal — Meu Imposto de Renda.
A correção pela Selic incide a partir do segundo lote, conforme o artigo 16 da Lei nº 9.250/1995 (texto oficial no Planalto). O primeiro lote sai sem correção, o segundo recebe 1% e do terceiro em diante a Selic acumulada do período é aplicada.
Ordem de prioridade legal
A ordem de pagamento não é aleatória. A lei estabelece grupos com prioridade absoluta, e só depois entram os critérios de desempate. A sequência é:
- Idosos com 80 anos ou mais — prioridade máxima, à frente de qualquer outro grupo.
- Idosos entre 60 e 79 anos — segunda preferência.
- Pessoas com deficiência física ou mental.
- Pessoas com doença grave comprovada (lista no artigo 6º da Lei 7.713/1988: neoplasia maligna, cardiopatia grave, Parkinson, AIDS, esclerose múltipla, entre outras).
- Professores cuja maior fonte de renda seja o magistério.
- Contribuintes que usaram a declaração pré-preenchida ou escolheram Pix com CPF como chave.
- Demais contribuintes, por ordem de entrega da declaração sem pendências.
Dentro de cada grupo, recebe primeiro quem entregou a declaração antes, desde que esteja sem pendências no processamento.
Como consultar se você está em algum lote
Existem três caminhos oficiais pra checar a situação da sua restituição. Todos são gratuitos e exigem dados básicos da declaração ou login Gov.br.
1. Site da Receita (consulta rápida, sem login)
Acesse restituicao.receita.fazenda.gov.br, informe CPF, data de nascimento e ano-base. O sistema mostra se a declaração foi processada, em qual lote está e a data prevista de crédito.
2. Portal e-CAC (consulta completa, com login Gov.br)
No Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte, faça login com Gov.br nível prata ou ouro (ou certificado digital). Vá em Meu Imposto de Renda → Extrato da DIRPF. Aqui você vê:
- Status da declaração (Em processamento, Processada, Com pendências, Em malha)
- Detalhe de divergências, se houver
- Histórico de declarações dos últimos 5 anos
- Opção de retificar online
3. App Receita Federal (celular)
Disponível pra Android e iOS. Permite consultar restituição, declarações entregues, situação cadastral do CPF e agendar atendimento. O login também é via Gov.br.
A consulta no e-CAC é a mais completa. É lá que você descobre se caiu na malha fina e por qual motivo.
PIX antecipa restituição? A pegadinha do Pix
Sim, mas com asterisco. Optar por receber via Pix com CPF como chave prioriza você dentro do grupo a que pertence, junto com quem usou a declaração pré-preenchida. Isso significa: dentro do bolo de “demais contribuintes”, quem marcou Pix sai antes de quem pediu crédito em conta bancária comum.
A pegadinha é que Pix não pula a fila legal. Se você é contribuinte comum (não é idoso, não é professor, não tem doença grave) e marcou Pix, você ainda recebe depois dos grupos prioritários. O Pix só ajuda no desempate dentro do seu próprio grupo.
Outra ressalva: a chave Pix precisa ser obrigatoriamente o CPF do titular da declaração. Chave de e-mail, telefone ou aleatória não vale pra restituição. Se a conta indicada for de outra pessoa ou a chave não for CPF, o pagamento volta e você precisa atualizar os dados no e-CAC.
Quanto você está pagando de IR todo mês?
A calculadora de salário líquido mostra exatamente quanto sai do seu bolso em INSS e IRRF a cada salário — base pra estimar a restituição esperada.
Calcular salário líquido →Caí na malha fina, e agora?
Cair na malha fina não é multa nem acusação de fraude. Significa que o sistema da Receita encontrou divergência entre o que você declarou e o que foi informado por outras fontes (empregador, plano de saúde, banco, INSS). A declaração fica retida até a divergência ser resolvida.
Passo a passo pra sair:
- Consulte o extrato no e-CAC. Em Meu Imposto de Renda → Extrato da DIRPF → Pendências de Malha, o sistema lista exatamente quais campos estão com divergência (rendimentos não batem com o informe do empregador, despesa médica sem comprovante na base, dependente sem CPF, etc.).
- Avalie se o erro foi seu ou da fonte pagadora. Se foi seu (digitou valor errado, esqueceu rendimento, lançou despesa que não tem nota), envie declaração retificadora pelo próprio e-CAC. A retificadora substitui integralmente a anterior e pode ser enviada em até 5 anos.
- Se o erro foi da fonte pagadora (empregador informou rendimento errado, plano de saúde mandou valor incorreto), peça ao terceiro pra corrigir o informe. Aí você não precisa retificar.
- Se você está certo e quer contestar, agende atendimento presencial ou envie documentação digital pelo e-CAC apresentando comprovantes (recibos médicos, contratos, holerites). A Receita revisa e libera a declaração.
Após a retificadora, o reprocessamento leva entre 15 e 30 dias. Se aprovada, a restituição entra no próximo lote disponível, com correção pela Selic do período em que ficou retida.
Perguntas frequentes
+Posso receber a restituição sendo MEI?
Sim. O MEI declara como pessoa física quando teve outras fontes de renda (salário CLT, aluguéis, autônomo) ou quando o lucro distribuído pelo MEI ultrapassou o limite de isenção. Se a declaração resultar em imposto pago a mais, recebe restituição normalmente.
+Quanto tempo a Receita tem para pagar?
A lei não fixa prazo único, mas o pagamento ocorre dentro do calendário anual de lotes (maio a agosto). Se a declaração ficou retida por divergência, a Receita tem até 5 anos para processar — durante esse período o valor é corrigido pela Selic.
+Posso usar a restituição para abater dívida com a Receita?
Sim. Se você tem débito em aberto com a Receita Federal (DARF não pago, parcelamento em atraso), a restituição é automaticamente compensada e você recebe só a diferença, se houver.
+Não recebi a restituição mesmo declarando, o que faço?
Primeiro consulte no site oficial da restituição o status. Pode ser que a declaração esteja em malha, que a conta indicada esteja errada ou inativa, ou que você tenha débito em aberto sendo compensado. No e-CAC dá pra ver detalhe e reagendar pagamento via 'Reagendamento de Restituição não Resgatada'.
+Posso indicar conta de outra pessoa?
Não. Tanto o Pix (chave CPF) quanto a conta bancária comum precisam estar no nome do titular da declaração. Indicação de conta de terceiros é recusada pelo banco e o valor volta pra Receita, exigindo atualização cadastral.
+Caí na malha fina mas não devo nada, o que aconteceu?
Quase sempre é divergência de informação, não erro de imposto. Empregador informou salário com centavo diferente, plano de saúde mandou valor de coparticipação que você não lançou, dependente apareceu em duas declarações. Consulte a pendência no e-CAC e retifique ou apresente comprovante.
+Quanto rende a restituição? Tem juros?
Sim. Pela Lei 9.250/1995, a restituição é corrigida pela Selic acumulada do mês seguinte ao prazo de entrega até o mês anterior ao pagamento, mais 1% no mês do crédito. Quem recebe no primeiro lote não tem correção. Quem recebe no segundo, ganha 1%. A partir do terceiro, a Selic acumulada do período entra no cálculo.